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Sobre

3º Dan

Sensei Ricardo Sousa

Numa primeira análise, a maioria das pessoas vê a Arte Marcial como um conjunto de técnicas corporais de defesa e ataque. Consideram também, que durante a vida serão poucas as situações em que terão de as usar, e ainda, que dado o tempo que é preciso dedicar a tão complexa aprendizagem, nem sequer vale a pena tentar. Mas a realidade é que a Arte Marcial é, no seu todo, muito mais do que sistemas de autodefesa. A Arte Marcial ajuda à construção de um melhor carácter, é um percurso, um caminho que se vai trilhando. A prática de qualquer Arte Marcial, quando bem orientada e vivida profundamente, é uma iniciação ao autoconhecimento e começa pelo mais elementar: o nosso corpo e os seus instintos básicos.


Independentemente daquilo em que se acredita, é irrefutável que todos somos corpo (para além da mente, claro está). Esse corpo é um enorme desconhecido, não apen
as estruturalmente ou a nível de orgãos e sistemas, mas sobretudo a nível funcional. O corpo faz, sente e obriga em direcções que a razão pode não entender ou nem querer. A Arte Marcial aproxima-nos do corpo e possibilita-nos viver com uma intensidade e com objectivos anteriormente desconhecidos, impensáveis e até impossíveis. Controlar os movimentos do nosso corpo, percebê-los e entregarmo-nos à sua linguagem é, sem dúvida, uma forma de autoconhecimento! A Arte Marcial permite a potenciação da união entre Corpo, Emoção e Mente… um maravilhoso género de encontro com a purificação. Para que uma pessoa se sinta total, una e em harmonia deve perceber e sentir esta união. Não se trata somente da soma das partes, mas sim do caminho para autoconhecimento profundo, para o encontro com o nosso centro, o nosso âmago e eis que percebemos esta maravilhosa grandeza: Corpo é Mente e Mente é Corpo!
Emoções são movimento, movem-se para dentro e para fora, vão e voltam… não somos apenas Emoção, também somos Corpo e Mente. As emoções agem como ponte de união entre Corpo e Mente, mas a forma como vivemos distancia cada vez mais estes dois pontos tornando-nos “esquizofrénicos funcionais”, ou seja, o corpo não age de acordo com as emoções. Controlar a mente e/ou as emoções na ausência de uma verdadeira identidade própria é difícil, daí a importância da interacção entre este todo.
A Arte Marcial reabre essa ligação (que é adquirida à nascença e que entretanto vamos perdendo) e possibilita esse encontro harmonioso, pondo-nos frente a frente com a única coisa que temos: o aqui e o agora. O tradicional lema “mente sã em corpo são” é superado pela prática e ensino marcial em que ambos são uma e a mesma coisa… somos um!
Segundo a perspectiva Zen podemos, ainda, ir mais longe. Em cada  momento somos também as emoções que se movimentam em nós. Assim somos Corpo, Emoção e Mente numa unidade e totalidade incrivelmente poderosa e maravilhosa. A Arte Marcial é “Zen em movimento”, onde o aqui e agora se impõe a cada instante, numa total concentração  e fluidez de movimentos durante um combate, por exemplo. A Arte Marcial, neste caso o Karaté, é um caminho de vida, uma ocasião para o autoconhecimento e saúde na sua plenitude. O praticante de Karaté  torna-se mais tranquilo e autoconfiante; mais forte e mais seguro, o que lhe permite ter uma atitude relaxada e optimista que vai aumentando ao longo dos anos de prática, mas que se sente desde muito cedo.
Enquanto actividade física o Karaté implica um trabalho de todo o corpo em que o ponto de partida é o centro deste. A partir daí envolvem-se todos os membros de uma forma equilibrada na execução de cada movimento. Assim o verdadeiro e autêntico Karateca alcança, garantidamente, a elegância, a graciosidade e a beleza. O que é realmente importante só se aprende vivendo, experimentando na primeira pessoa, não deixe que ninguém lho diga! Dirija-se a um Dojo e sinta-o por si mesmo.